JORNALISTA NA SARJETA - Blog mambembe tramado por Fabio Bézza, cidadão do mundo e mochileiro de 3° classe
   
   
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MÚSICA PARA ACORDAR BEM NO SÁBADO, DEPOIS DE UMA NOITE DE SEXTA EMBRIAGADA. PRA QUEM NÃO CONHECE, O NOME DA FERA É BO DIDDLEY 



Escrito por Fabio Bézza às 12h41
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ILUSTRADA 50 ANOS

O caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo completou 50 anos. Como parte das comemorações, será exibido na próxima segunda-feira, dia 15, a partir das 19h, o filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol", clássico do cineasta Glauber Rocha, lá no Espaço Unibanco, na Rua Augusta. Depois da sessão, haverá um debate com os críticos de cinema da Folha como Inácio Araújo e Sérgio Rizzo. E hoje o José Simão, na Ilustrada, comentou sobre o Ronaldo no Corinthians, e soltou essa: "Ronaldo pegou traveca pensando que era mulher, agora veio jogar no Corinthians pensando que é um time. Errar uma vez é humano, duas é burrice". E olha que sou corinthiano, mas não tem como não gostar de uma tirada dessa. Incrível o talento do Simão, ele escreve muito fácil. Sou fã desse cara.

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COISAS QUE EU LEIO POR AÍ

"Já estou daquele jeito

que não tem mais concerto

ou levo você pra cama

ou desperto."

Alice Ruiz

COISAS QUE EU ESCUTO POR AÍ

"Se você vier me perguntar por andei

no tempo que você sonhava

de olhos abertos lhe direi

amigo eu me desesperava."

Belchior

 



Escrito por Fabio Bézza às 15h27
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EM 2009 ELE JOGA COM A CAMISA DO TIMÃO.

Mais uma vez ele chega desacreditado, se recuperando de uma grave contusão. Muitos dizem que as suas glórias ficaram no passado. Alguns perguntam: Será que é capaz de voltar a jogar bem e ser campeão? Ronaldo, um dos grandes idolos do futebol mundial, o maior artilheiro de todas as Copas, volta aos gramados do Brasil, vestindo a camisa do CorinthiansRonaldo, assim como o time do Parque São Jorge, consegue se superar nos momentos dificeis. A impressão que tenho dele, é a de um boxeador incansável que não joga a toalha. O craque conta com um talento fenomenal. Já o Corinthians, tem na sua fiel torcida, um bando de loucos que embalam as reviravoltas, a personificação da superação. Ambos, a exemplo de Fênix, na mitologia grega, costumam renascer das cinzas. Algo me diz que no ano que vem, o sol deve brilhar mais intensamente, tanto pro Ronaldo quanto pro Corinthians. Que os anjos do futebol digam "Amém!"   

 



Escrito por Fabio Bézza às 23h52
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Ele nasceu de mãe solteria em São Francisco, nos EUA. Foi considerado por muitos o herói da classe operária. Aos 13 anos parou de estudar para trabalhar dezesseis horas por dia numa fábrica. Voltou aos estudos, mas devido o forte preconceito contra estudantes pobres, largou de vez, e tentou a sorte na "corrida do ouro" no Alasca. Aliás, soube como nenhum outro autor, eternizar em meia dúzia de clássicos da literatura americana a saga da busca pelo ouro nas gélidas terras do Alasca. Amante da aventura, levou uma vida de andarilho. Chegou a ser preso. Aos 25 anos, decidiu ser escritor. Sua produção literária segue na contracorrente de uma América capitalista e individualista. De maneira magistral, escreveu romances nos quais os temas transitam na oposição entre os valores do espírito e os bens materiais. Esse foi Jack London, um escritor que mudou a minha maneira de ver o mundo, assim como Mark Twain, Ernest Heminway, Jack Kerouac, John Fante e Charles Bukowski. Por que estou comentando sobre ele? É que hoje comprei um livro chamado 

"A Praga Scarlate". Confesso, que até desonhecia esse livro do Jack London. Como sou fã dos textos dele, todavia, comprei e já comecei a ler. É um livro curto com apenas 103 páginas. Apesar de ter lido apenas algumas páginas, já percebi que se trata mais uma grande obra desse fantástico escritor.    



Escrito por Fabio Bézza às 23h26
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Escrito por Fabio Bézza às 23h55
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Recentemente fiz uma viagem que resultou numa matéria, a qual será publicada na Revista Prime, que deve ser lançada antes do Natal. Como trata-se de uma revista de distribuição gratuita, não vejo problemas em postar aqui o texto, afinal, esse blog, além de um passatempo, é uma maneira de divulgar o meu trabalho de jornalista. O texto é escrito em primeira pessoa, pois a minha idéia foi fazer o que chama-se de jornalismo gonzo, em que o próprio jornalista é o sujeito da ação. Espero ter conseguido.

Aventura Mochileira

 

Ver o vôo do condor sob as altitudes andinas. Mascar folha de coca ao subir as ruínas de Machu Picchu. Passar uma noite na histórica cidade de Cuzco, bebendo e dançando em algum bar com decoração nativa.    

Desde quando cursava a faculdade de jornalismo, a vontade de conhecer o Peru palpitava na minha mente. Paralelo a todo esse desejo, sempre tive uma genuína, intensa e fervorosa paixão de viajar como mochileiro. Já conheci vários lugares do Brasil por meio do formato: mochila nas costas e pouca grana no bolso.

Embalado não somente pelo espírito de aventura, mas também pela experiência de andarilho em território nacional, no dia cinco de setembro desse ano, junto com mais dois amigos: Niltinho (mecânico que deixou o ajudante no comando da oficina) e Aline (dentista que fechou o consultório por alguns dias) parti disposto a chegar à terra sagrada dos incas, seguindo pela conhecida e demorada rota que liga São Paulo a Machu Picchu.

Tal minho é objeto de adoração e peregrinação de mochileiros. O "clássico" trajeto tem como ponto de partida o Terminal Barra Funda, São Paulo até Porto Suarez, na Bolívia, no qual o ônibus da Viação Andorinha leva 24 horas para chegar. Em território boliviano, a viagem continua. Embarca-se no trem da Ferrovia Oriental, conhecido como trem da morte, que vai até Santa Cruz de la Sierra, adicionando mais 19 horas de aventura sob os trilhos. Na seqüência, mais 48 horas através de cinco ônibus: Santa Cruz de La Sierra - Cochabamba - La Paz - Copacabana - Puno - Cuzco. Totalizando: 91 horas, sem contar os contratempos e os possíveis atrasos.  

A idéia de chegar a Macchu Picchu por esse percurso é que ele também proporciona conhecer a Bolívia, um país de belezas naturais incríveis que infelizmente são ofuscadas pela pobreza que assola a população boliviana. Como o Lago Titicaca, onde está a Ilha do Sol.

E foi justamente uma Bolívia conturbada que encontramos no meio do caminho. E talvez por sorte ou azar os problemas se desencadearam no dia em que chegamos à cidade com moldura de filmes de faroeste, Puerto Guijarro, que faz fronteira com o Brasil.

Lá me defrontei com uma greve geral, ou "Paro", como eles chamam por lá. Tudo parado, sem "trem da morte", nem ônibus, só protestos contra o governo de Evo Morales. Então, sem saída, ficamos perambulando durante quatro dias pelas cidades fronteiriças, esperando a situação normalizar.

Puerto Guijarro

Apesar do clima tenso, deu para conhecer essa cidade boliviana. Sentados à mesa do restaurante "La Bodeguita", saboreamos um delicioso prato chamado "pica lo macho", que apesar de soar meio gay para os brasileiros, é muito gostoso, ou recomendado aos que forem pra lá um dia.

Na frente da "Sala de Migración" falei com os grevistas através de um portunhol sem-vergonha, mas o bate-papo fluiu tão bem que até ganhei uma bandeira do partido da Autonomia. A certa altura já conseguia identificar algumas palavras como "gobierno de mierda", ditas por um taxista revoltado com o presidente boliviano, o ex-cocalero Evo Morales.

Guijarro parece guardar nas suas ruas de terra a atmosfera daqueles filmes de bang bang. Senti a estranha impressão de que a qualquer momento encontraria um "Billy the Kid" e começaria um interminável tiroteio de Winchester-73.

No Shopping China da cidade, uma espécie de Brás, freqüentado não somente pelos bolivianos, mas também pelos brasileiros que moram em Corumbá, tudo é muito barato. O Niltinho comprou algumas garrafas de uísque, em uma de Red Label pagou 15 dólares, enquanto que a Aline preferiu os chocolates e um aparelho que mede pressão, tudo por vinte e cinco dólares. Eu optei em gastar o meu dinheiro com roupas típicas: ponche, colete e bata, todas, peças coloridas com as cores e os desenhos típicos bolivianos, isso sem falar nos artesanatos e na caixa de chá de coca.  

Corumbá

Hospedamo-nos num hotel bem simples, que combina com a postura de mochileiro, onde a diária de um quarto para três custou módicos R$ 35,00.

Na parte mais alta da cidade, fica o Cristo Rei do Pantanal. Subimos lá, depois de mais ou menos uns quatrocentos degraus de escadas. No topo, vislumbramos toda a cidade, que nasceu em 1778 para brecar os avanços dos espanhóis pela fronteira. Conta a história que a cidade começou a se industrializar durante a década de 40 por meio da exploração das reservas de calcário. No final dos anos 70, com o "boom" do turismo na região, foi intitulada capital do Pantanal. Hoje a economia é diversificada, entre atividades como agro-negócio, mineração comércio, turismo, pesca e prestação de serviços.

 Era dia sete de setembro. Enquanto o exército marchava pelas ruas de Corumbá, meus olhos tentavam acompanhar os vôos rasantes dos vários tipos de pássaros que enfeitavam o céu da pátria naquele instante. 

Descemos até o Porto, embarcamos num barco, 5 horas deslizando pelo rio Paraguai, um dos poucos rios sem represa do mundo. No ingresso para o passeio, vinha incluso almoço, caldo de piranha e caipirinha. Na embarcação, senhoras e senhores dançavam entusiasmados ao som do forró. Sentado numa cadeira, tipo de praia, na parte superior do barco, eu contemplava a vegetação pantaneira que serpenteia as margens do histórico rio. 

Quem está em Corumbá logo chega á Ladário, onde tomei tereré  gelado - bebida que assim como a cerveja, torna-se irresistível em dias de calor - oferecido por um simpático casal que naquela tarde, tomava com os filhos nas margens do rio Paraguai.       

Depois de quatro dias, passeando em Guijarro, Corumbá e cidades próximas, e sem previsão e esperanças de encerramento da greve boliviana para que pudéssemos seguir viagem, resolvemos dar adeus à idéia de conhecer Machu Picchu.  Demos meia-volta, nos despedimos da Bolívia com um "Hasta La Vista", e decidimos mudar de rumo. Nosso destino agora era chegar ao coração do Pantanal. 

Nhecolândia

Na rodoviária de Corumbá, há algumas agências de turismo que fazem passeios Pantanal adentro. Numa dessas operadoras, negociei e pechinchei muito até que conseguíssemos pagar 150,00 cada um para passarmos quatros dias na "Fazenda Ecológica 04 Cantos". O valor real era de 400,00, valeu a pena a "choradeira". A fazenda está localizada a 250km de Corumbá, na região de Nhecolândia, uma das oito sub-regiões que formam o Complexo do Pantanal.

E lá fomos nós, abordo de um veículo, mistura de jipe com pau-de-arara, conhecer de maneira intimista o pantanal sul-mato-grossense, de Almir Sater cantando Chalana, das populações ribeirinhas e dos intermináveis hectares de fazendas, uma obra-prima de Deus, um impressionante espetáculo da natureza encantadoramente selvagem, no qual veados, emas e javalis corriam hipnoticamente aos meus olhos, jacarés boquiabertos na beira dos pântanos e diversas espécies de aves cortavam e davam um colorido especial à imensidão verdejante.

Ao mesmo tempo, que admirava as paisagens, lembrava dos livros que já li sobre o Pantanal, que falavam da vegetação variada, apresentando tanto uma tipicamente aquática como a vitória régia, quanto áreas de capinzais. Tamanha diversidade se deve em função da maior ou menor presença de água nos solos.

No entanto, como pude comprovar, e isso só se aprende na prática, no contato, não em sala de aula, nem em livros, por mais importante e enriquecedora que seja a leitura, esse bioma tem o poder de embalar sonhos. A beleza do cenário - onde animais vivem livremente - traz uma percepção de liberdade, que só um lugar, considerado um dos santuários da natureza pela Unesco, pode despertar no homem. 

Em certo momento, Niltinho até brincou: "Acho que vi um elefante", e os turistas deram risadas.  

Enfim, chegamos à fazenda no fim da tarde. No dia seguinte, amanhece, acordo com o som das aves logo nos primeiros instantes em que abro os olhos, tal sensação é indescritível. 

Conheci um pássaro muito esperto, trata-se de uma maritaca que atende atenciosamente pelo nome de cabeção. Conforme dizem os moradores, há dois anos ele mora na fazenda por livre e espontânea vontade, já que não tem as asas cortadas. O ilustre anfitrião dorme nas árvores que cercam o casarão da fazenda, e na hora das refeições aterrissa na área, onde é servida a comida e "manda vê" nos pratos, principalmente na panela de arroz.    

Outro fato marcante foi a amizade que fiz com os peões e as cozinheiras que, legítimos pantaneiros, são hospitaleiros e bem-humorados e levam uma vida de intensa intimidade com a natureza. Antes de ir embora da fazenda, pegar o caminho de volta pra casa, me despedi de todos eles, disse que um dia voltaria. Como sou um homem de palavra, acredito que nos veremos novamente.

Para um urbanóide como eu passar alguns dias totalmente fora do horário de Brasília, longe de tudo e de todos, num lugar tão diferente da cidade grande, é ter o gostinho de viver num mundo à parte. A grande sacada, a essência de viajar como mochiliero, é a sensação de entrega a liberdade. Só se lançando na estrada para saber

E amparados sob um céu azul que, diga-se, nos acompanhou durante quase toda a viagem, lá vamos nós indo embora do pantanal. Doze dias depois da partida, estava eu de volta à São Paulo. Assim como meus amigos, não tinha dinheiro nem para pegar o metrô, ainda bem que o pai da Aline foi nos buscar na rodoviária. 



Escrito por Fabio Bézza às 13h47
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