Queridos amigos leitores desse blog mambembe, tão andarilho como o blogueiro que aqui escrve, mais uma vez mudei de endereço, dessa vez acho que é definitivo. Então, vamos lá, anotem aí o novo link:
RÉVEILLON POR AQUI MESMO; FELIZ 2009! SEMPRE SONHANDO
Nos últimos anos passei Natal ou Ano Novo viajando com os meus amigos. Mas dessa vez a turma pegou a estrada, a maioria foi passar a virada na praia, e eu resolvi ficar por aqui com a minha família. A essa altura a rapaziada deve estar tomando cerveja junto à brisa do mar, enquanto termino o ano por aqui, bebendo vinho e escutando as minhas músicas. Nada mal ficar a última tarde do ano estirado no colchão, escutando as canções do Nei Lisboa. Se liga essa letra:
"Bem no fim do dia O mundo se escondeu Atrás dessa neblina Não vejo nada agora São quatro horas, meu amor A lua apareceu por um instante Sumiu atrás dos montes, meia-noite A estrada se acelera sob o ônibus E estamos sós num sonho que eu sonhei Estamos sós num sonho É só um sonho"
É um trecho da belíssima música "Fim do dia". Acredito que é mais ou menos assim, como diz essa letra, que termino o ano, sonhando. Pra ser sincero, a minha vida é um sonho, o meu destinho é enfeitado por sonhos, as casualidades que acontecem comigo também são frutos de sonhos. É por aí que levo a vida, mesmo porque, o meu destino está longe do meu alcance, assim como o oceano está distante do sol, por mais que os raios solares iluminem as ondas diariament. Então, eu sigo em frente, começo 2009, sonhando e tentando viver a vida do meu jeito, é só isso. FELIZ ANO-NOVO.
Ontem, no último domingo do ano, saiu tanto na Folha quanto no Estadão matéria sobre aos "50 anos da Revolução Cubana". Gostei mais da abordagem do Estadão, que fez um especial sobre o tema no caderno Aliás, enquanto a Folha deu apenas uma página do jornal. Destaque para o texto "Las Vegas do Caribe" do jornalista Sérgio Augusto, que, diga-se de passagem, é o melhor jornalista cultural em atividade no Brasil. Na matéria o autor comenta como o crime organizado americano pintou e bordou em Havana, durante a ditadura de FulgêncioBatista. Resumindo, o Estadão deu de 10 a 0 na Folha. Fez um tipo de dossiê mostrando vários pontos de vistas, alguns positivos outros negativos, confrontou as opiniões diferentes das fontes, enfim, acredito que dá-se por essa pluralidade jornalística a imparcialidade de um jornal. Particularmente, a história dos barbudos guerrilheiros que derrubram Batista, sempre me fascinou. Sobre o Che, Fidel e Cuba, já li dezenas de livros e revistas, e dessas leituras, procuro deixar de lado a minha fascinação pela figura rebelde do Che, tento manter aceso o meu espírito crítico. Recentemente assisti um documentário no Canal Brasil, no qual o Caetano dizia que fez a música "Soy Louco por ti América" em homenagem ao Che. O poeta Ferreira Gullar também homenageou o guerrilheiro no poema "Dentro da noite veloz", num dos versos, ele diz: "Ernesto Che Guevara/ por que lutas ainda?/ a batalha está finda/ antes que o dia acabe/ Ernesto Che Guevara/ é chegada a tua hora/ e o povo ignora se por ele lutavas."
Não tem jeito, dezembro é o mês mais festivo do ano. Acredito que desde do dia 1° tenho bebido quase todos os dias. Festas de confraternização, amigo-secreto com famliiares e amigos, enfim, não em como fugir do clima festivo que toma conta dessa época. Eu, particularmente, gosto muito de participar de tudo quanto é bagunça, é só me chamar que eu vou e, olha que às vezes até quando não me chamam eu apareço na maior cara-de-pau. Basta saber que tem um conhecido envolvido na farra, que eu já tô lá participando. O ruim dessa comemoração toda , é que eu não leio quase nada. Já tem uma pilha de livros se acumulando na minha mesa, esperando para serem folheados, mas como disse, é dezembro, e eu só penso em brindar. Viva dezembro! O mais embriagado de todos os meses.
A minha escrita é movida à música, como trabalho escrevendo, estou sempre ouvindo uma música de fundo. Enquanto atualizo o blog, por exemplo, escuto Van Morrison cantar Have I Told You Lately.
Uma linda canção que vira e mexe martela na minha mente. Certa vez, escrevi uma carta para uma garota sob o som dessa suave melodia. Depois, quando recebeu a carta, a mina me ligou e disse: "Adorei a carta, foi a mais bonita que recebi até hoje". Creio que tamanha inspiração foi cinquenta por cento por causa da gata, e os outros cinquenta por ter deixado essa belíssima canção fluir na minha imaginação.
E-MAIL QUE RECEBI DO SINDICATO SOBRE O CURSO DE REDAÇÃO CRIATIVA
Finalmente conseguimos agendar o curso de Redação Criativa Avançado. As aulas acontecerão no período de 07 de fevereiro a 14 de março, sábados, das 8h30 às 13h30 na Ação Educativa. A programação completa e a ficha de pré-inscrição estão em nosso site, www.jornalistasp.org.br Os valores (já com descontos): para sindicalizados e pré-sindicalizados: R$ 180,00 - à vista R$ 210,00 - em 2 parcelas de R$ 105,00 R$ 252,00 - em 3 parcelas de R$ 84,00 Valores para os não sindicalizados e demais profissionais R$ 260,00 - à vista R$ 310,00 - em 2 parcelas de R$ 155,00 R$ 360,00 - em 3 parcelas de R$ 120,00
Sempre nessa época do ano, as revistas culturais fazem um balanço do que de melhor aconteceu no cenário cultural. Longe de mim, querer dar uma de crítico por aqui, mesmo porque, não sou especialista em nada, apenas um jornalista em inicio de carreira, e como profissional de tal ofício, gosto de livros, discos, filmes, viagens e bater papo em algum boteco da Paulicéia Desvairada. Infelizmente, dos meus 30 anos que perambulo por essa cidade não só da garoa, mas também do pecado, a nossa imortal Sampa, a nossa enigmática Sin City, ainda não tive um ano no qual pudesse falar de boca cheia, assisti dezenas de peças de teatro, bati cartão no cinema, fui em uma porrada de Shows, li todos os principais livros que foram lançados, quem sabe um dia eu chego lá. Mesmo assim, conferi algumas coisas interessantes por aí, e vou citá-las por aqui numa espécie de retrospectiva particular.
EXPOSIÇÃO: Das exposições que visitei, gostei muito da "Vida louca, Vida Intensa, Uma viagem pela contracultura", que aconteceu lá no Sesc Pompéia. Para um fã e até - em alguns momentos e hábitos - vivenciador da contracultura, creio que não faltou nada nessa amostra, estava tudo representado lá, elementos estéticos e material gráfico dos períodos beat, psicodélico e punk, filmes que retratam os valores e as idéias da contracultura, debates com artistas e intelectuais influenciados pelo movimento. Num dos dias que eu fui, estava o Chacal com a turma de poetas da Nuvem Cigana, recitando seus ácidos versos.
CINEMA: Curti bastante o "Meu nome não é Jhonny". Ótimo filme sobre a história real do cara que foi um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro no final da década de 80 e hoje é músico, João Estrela. E mais uma vez o ator Selton Mello tomou conta do papel de maneira incontstável
Acompanho as aventuras do Homem-Morcego desde o tempo em que passava na TV, a série na qual o protagonista era o ator Adam West. Mas dessa vez foi o Coringa que deu as cartas em Batman CAvaleiro das TRevas, Heath Ledger foi a luz em Ghotam City, vou torcer para ele ganhar de maneira póstuma o Óscar desse ano.
MÚSICA: Vibrei! Comemorei com a mesma empolgação que tive com a volta do meu glorioso Corinthians quando voltou para a série A. O retorno do Marcelo Camelo para os braços da boa música brasileira por meio do CD Sóu, foi para exorcizar o pop sem graça que costuma andar à solta na indústria fonográfica. Pra mim, ele é atualmente um dos grandes compositores da MPB, o que dizer de um cara que tem o dom de compor versos como "Solidão, foge que eu te encontro que eu já tenho asa". É o tipo de talento indiscutível.
REVISTA: Dá-lhe Playboy, pois outra volta marcante, mas essa pela veia da cultura dionisíaca, foi a Claudia Ohana fazer o repeteco na revista depois de 20 anos do primeiro ensaio dela.
LITERATURA: Não li nenhum livro que foi lançado esse ano, minha mente só vajou em obras antigas. Destaque para Crack Up de F. S. Fitzgerald, que faz parte daquela coleção de livros de bolsos da editora L&PM. O livro é uma coletânea de textos de Fitzgerald, tem desde ensaios sobre a Era do jazz, passando por relatos de viagens, até pequenas anotações do escritor. Muito bom.
TEATRO: O que falar de uma peça cuja trilha sonora é Chet Baker, uma história sobre cicatrizes e marcas que ficam coladas no tempo. Gostaria de ser um crítico teatral para falar com mais propiedade sobre essa peça, mas como não manjo porra nenhuma, me limito a dizer que gostei bastante. E olha que foi a estréia do poeta Sérgio Mello na dramaturgia.
"Quandos nos encontrarmos de novo/ e formos apresentados como amigos/ não mostre que você me conheceu/ quando eu tinha fome e dependia de uma palavra sua."
Ontem eu peguei o trem para Santo André, fui fazer umas matérias por lá. Tanto na ida quanto na volta, liguei o meu MP3 e entre um rock e um blues escutei Downtown Train de Tom Waits. Gosto muito dessa música. Enquanto viajava no som, fiquei pensando como esse tema, trilhos e trem, são extremamente inspiradores, não é à toa que temos várias obras musicais e literárias que "transitam sob vagões". Por exemplo! Jack London escreveu num ritmo tão acelerado e vibrante como o de um trem, por isso, em suas narrativas os personagens estão sempre saltando nas estações ferroviárias. Tennessee Willians foi outro que bebeu nessa inspiração. Sérgio Sampaio fez uma música linda chamada "Viajei de trem", onde diz "Queria estar perto do que não devo/ E ver meu retrato em alto relevo/ Exposto, sem rosto, em grandes galerias? Cortado em pedaços, servindo em fatias/ Viajei de trem/ Eu viajei de trem". Já o autêntico Adoniran Barbosa misturou samba com poesia na paulistana canção "Trem das Onze". Assim como esses artistas, também sou apaixonado por trilhos, vagões, trem, estações etc e tal. Infelizente não tenho o talento deles para fazer dessa paixão obras de arte. Lamentavelmente, no Brasil, a maioria das linhas ferroviárias estão em regiões suburbanas. Considerando que o país é do tamanho de um continente há pouquíssimas linhas de trem, é uma pena. Há tempos, peguei o trem em Curitiba e fui até o Porto de Paranaguá - litoral paranaense - é uma viagem muito bacana, tão boa que pretendo repetir, na próxima vou a descer a Serra do Mar, escutando "Trem das Sete" do Raul Seixas.
O caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo completou 50 anos. Como parte das comemorações, será exibido na próxima segunda-feira, dia 15, a partir das 19h, o filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol", clássico do cineasta Glauber Rocha, lá no Espaço Unibanco, na Rua Augusta. Depois da sessão, haverá um debate com os críticos de cinema da Folha como Inácio Araújo e Sérgio Rizzo. E hoje o José Simão, na Ilustrada, comentou sobre o Ronaldo no Corinthians, e soltou essa: "Ronaldo pegou traveca pensando que era mulher, agora veio jogar no Corinthians pensando que é um time. Errar uma vez é humano, duas é burrice". E olha que sou corinthiano, mas não tem como não gostar de uma tirada dessa. Incrível o talento do Simão, ele escreve muito fácil. Sou fã desse cara.
Mais uma vez ele chega desacreditado, se recuperando de uma grave contusão. Muitos dizem que as suas glórias ficaram no passado. Alguns perguntam: Será que é capaz de voltar a jogar bem e ser campeão? Ronaldo, um dos grandes idolos do futebol mundial, o maior artilheiro de todas as Copas, volta aos gramados do Brasil, vestindo a camisa do Corinthians. Ronaldo, assim como o time do Parque São Jorge, consegue se superar nos momentos dificeis. A impressão que tenho dele, é a de um boxeador incansável que não joga a toalha. O craque conta com um talento fenomenal. Já o Corinthians, tem na sua fiel torcida, um bando de loucos que embalam as reviravoltas, a personificação da superação. Ambos, a exemplo de Fênix, na mitologia grega, costumam renascer das cinzas. Algo me diz que no ano que vem, o sol deve brilhar mais intensamente, tanto pro Ronaldo quanto pro Corinthians. Que os anjos do futebol digam "Amém!"
Ele nasceu de mãe solteria em São Francisco, nos EUA. Foi considerado por muitos o herói da classe operária. Aos 13 anos parou de estudar para trabalhar dezesseis horas por dia numa fábrica. Voltou aos estudos, mas devido o forte preconceito contra estudantes pobres, largou de vez, e tentou a sorte na "corrida do ouro" no Alasca. Aliás, soube como nenhum outro autor, eternizar em meia dúzia de clássicos da literatura americana a saga da busca pelo ouro nas gélidas terras do Alasca. Amante da aventura, levou uma vida de andarilho. Chegou a ser preso. Aos 25 anos, decidiu ser escritor. Sua produção literária segue na contracorrente de uma América capitalista e individualista. De maneira magistral, escreveu romances nos quais os temas transitam na oposição entre os valores do espírito e os bens materiais. Esse foi Jack London, um escritor que mudou a minha maneira de ver o mundo, assim como Mark Twain, Ernest Heminway, Jack Kerouac, John Fante e Charles Bukowski. Por que estou comentando sobre ele? É que hoje comprei um livro chamado
"A Praga Scarlate". Confesso, que até desonhecia esse livro do Jack London. Como sou fã dos textos dele, todavia, comprei e já comecei a ler. É um livro curto com apenas 103 páginas. Apesar de ter lido apenas algumas páginas, já percebi que se trata mais uma grande obra desse fantástico escritor.
Recentemente fiz uma viagem que resultou numa matéria, a qual será publicada na Revista Prime, que deve ser lançada antes do Natal. Como trata-se de uma revista de distribuição gratuita, não vejo problemas em postar aqui o texto, afinal, esse blog, além de um passatempo, é uma maneira de divulgar o meu trabalho de jornalista. O texto é escrito em primeira pessoa, pois a minha idéia foi fazer o que chama-se de jornalismo gonzo, em que o próprio jornalista é o sujeito da ação. Espero ter conseguido.
Aventura Mochileira
Ver o vôo do condor sob as altitudes andinas. Mascar folha de coca ao subir as ruínas de Machu Picchu. Passar uma noite na histórica cidade de Cuzco, bebendo e dançando em algum bar com decoração nativa.
Desde quando cursava a faculdade de jornalismo, a vontade de conhecer o Peru palpitava na minha mente. Paralelo a todo esse desejo, sempre tive uma genuína, intensa e fervorosa paixão de viajar como mochileiro. Já conheci vários lugares do Brasil por meio do formato: mochila nas costas e pouca grana no bolso.
Embalado não somente pelo espírito de aventura, mas também pela experiência de andarilho em território nacional, no dia cinco de setembro desse ano, junto com mais dois amigos: Niltinho (mecânico que deixou o ajudante no comando da oficina) e Aline (dentista que fechou o consultório por alguns dias) parti disposto a chegar à terra sagrada dos incas, seguindo pela conhecida e demorada rota que liga São Paulo a Machu Picchu.
Tal minho é objeto de adoração e peregrinação de mochileiros. O "clássico" trajeto tem como ponto de partida o Terminal Barra Funda, São Paulo até Porto Suarez, na Bolívia, no qual o ônibus da Viação Andorinha leva 24 horas para chegar. Em território boliviano, a viagem continua. Embarca-se no trem da Ferrovia Oriental, conhecido como trem da morte, que vai até Santa Cruz de la Sierra, adicionando mais 19 horas de aventura sob os trilhos. Na seqüência, mais 48 horas através de cinco ônibus: Santa Cruz de La Sierra - Cochabamba - La Paz - Copacabana - Puno - Cuzco. Totalizando: 91 horas, sem contar os contratempos e os possíveis atrasos.
A idéia de chegar a Macchu Picchu por esse percurso é que ele também proporciona conhecer a Bolívia, um país de belezas naturais incríveis que infelizmente são ofuscadas pela pobreza que assola a população boliviana. Como o Lago Titicaca, onde está a Ilha do Sol.
E foi justamente uma Bolívia conturbada que encontramos no meio do caminho. E talvez por sorte ou azar os problemas se desencadearam no dia em que chegamos à cidade com moldura de filmes de faroeste, Puerto Guijarro, que faz fronteira com o Brasil.
Lá me defrontei com uma greve geral, ou "Paro", como eles chamam por lá. Tudo parado, sem "trem da morte", nem ônibus, só protestos contra o governo de Evo Morales. Então, sem saída, ficamos perambulando durante quatro dias pelas cidades fronteiriças, esperando a situação normalizar.
Puerto Guijarro
Apesar do clima tenso, deu para conhecer essa cidade boliviana. Sentados à mesa do restaurante "La Bodeguita", saboreamos um delicioso prato chamado "pica lo macho", que apesar de soar meio gay para os brasileiros, é muito gostoso, ou recomendado aos que forem pra lá um dia.
Na frente da "Sala de Migración" falei com os grevistas através de um portunhol sem-vergonha, mas o bate-papo fluiu tão bem que até ganhei uma bandeira do partido da Autonomia. A certa altura já conseguia identificar algumas palavras como "gobierno de mierda", ditas por um taxista revoltado com o presidente boliviano, o ex-cocalero Evo Morales.
Guijarro parece guardar nas suas ruas de terra a atmosfera daqueles filmes de bang bang. Senti a estranha impressão de que a qualquer momento encontraria um "Billy the Kid" e começaria um interminável tiroteio de Winchester-73.
No Shopping China da cidade, uma espécie de Brás, freqüentado não somente pelos bolivianos, mas também pelos brasileiros que moram em Corumbá, tudo é muito barato. O Niltinho comprou algumas garrafas de uísque, em uma de Red Label pagou 15 dólares, enquanto que a Aline preferiu os chocolates e um aparelho que mede pressão, tudo por vinte e cinco dólares. Eu optei em gastar o meu dinheiro com roupas típicas: ponche, colete e bata, todas, peças coloridas com as cores e os desenhos típicos bolivianos, isso sem falar nos artesanatos e na caixa de chá de coca.
Corumbá
Hospedamo-nos num hotel bem simples, que combina com a postura de mochileiro, onde a diária de um quarto para três custou módicos R$ 35,00.
Na parte mais alta da cidade, fica o Cristo Rei do Pantanal. Subimos lá, depois de mais ou menos uns quatrocentos degraus de escadas. No topo, vislumbramos toda a cidade, que nasceu em 1778 para brecar os avanços dos espanhóis pela fronteira. Conta a história que a cidade começou a se industrializar durante a década de 40 por meio da exploração das reservas de calcário. No final dos anos 70, com o "boom" do turismo na região, foi intitulada capital do Pantanal. Hoje a economia é diversificada, entre atividades como agro-negócio, mineração comércio, turismo, pesca e prestação de serviços.
Era dia sete de setembro. Enquanto o exército marchava pelas ruas de Corumbá, meus olhos tentavam acompanhar os vôos rasantes dos vários tipos de pássaros que enfeitavam o céu da pátria naquele instante.
Descemos até o Porto, embarcamos num barco, 5 horas deslizando pelo rio Paraguai, um dos poucos rios sem represa do mundo. No ingresso para o passeio, vinha incluso almoço, caldo de piranha e caipirinha. Na embarcação, senhoras e senhores dançavam entusiasmados ao som do forró. Sentado numa cadeira, tipo de praia, na parte superior do barco, eu contemplava a vegetação pantaneira que serpenteia as margens do histórico rio.
Quem está em Corumbá logo chega á Ladário, onde tomei tereré gelado - bebida que assim como a cerveja, torna-se irresistível em dias de calor - oferecido por um simpático casal que naquela tarde, tomava com os filhos nas margens do rio Paraguai.
Depois de quatro dias, passeando em Guijarro, Corumbá e cidades próximas, e sem previsão e esperanças de encerramento da greve boliviana para que pudéssemos seguir viagem, resolvemos dar adeus à idéia de conhecer Machu Picchu. Demos meia-volta, nos despedimos da Bolívia com um "Hasta La Vista", e decidimos mudar de rumo. Nosso destino agora era chegar ao coração do Pantanal.
Nhecolândia
Na rodoviária de Corumbá, há algumas agências de turismo que fazem passeios Pantanal adentro. Numa dessas operadoras, negociei e pechinchei muito até que conseguíssemos pagar 150,00 cada um para passarmos quatros dias na "Fazenda Ecológica 04 Cantos". O valor real era de 400,00, valeu a pena a "choradeira". A fazenda está localizada a 250km de Corumbá, na região de Nhecolândia, uma das oito sub-regiões que formam o Complexo do Pantanal.
E lá fomos nós, abordo de um veículo, mistura de jipe com pau-de-arara, conhecer de maneira intimista o pantanal sul-mato-grossense, de Almir Sater cantando Chalana, das populações ribeirinhas e dos intermináveis hectares de fazendas, uma obra-prima de Deus, um impressionante espetáculo da natureza encantadoramente selvagem, no qual veados, emas e javalis corriam hipnoticamente aos meus olhos, jacarés boquiabertos na beira dos pântanos e diversas espécies de aves cortavam e davam um colorido especial à imensidão verdejante.
Ao mesmo tempo, que admirava as paisagens, lembrava dos livros que já li sobre o Pantanal, que falavam da vegetação variada, apresentando tanto uma tipicamente aquática como a vitória régia, quanto áreas de capinzais. Tamanha diversidade se deve em função da maior ou menor presença de água nos solos.
No entanto, como pude comprovar, e isso só se aprende na prática, no contato, não em sala de aula, nem em livros, por mais importante e enriquecedora que seja a leitura, esse bioma tem o poder de embalar sonhos. A beleza do cenário - onde animais vivem livremente - traz uma percepção de liberdade, que só um lugar, considerado um dos santuários da natureza pela Unesco, pode despertar no homem.
Em certo momento, Niltinho até brincou: "Acho que vi um elefante", e os turistas deram risadas.
Enfim, chegamos à fazenda no fim da tarde. No dia seguinte, amanhece, acordo com o som das aves logo nos primeiros instantes em que abro os olhos, tal sensação é indescritível.
Conheci um pássaro muito esperto, trata-se de uma maritaca que atende atenciosamente pelo nome de cabeção. Conforme dizem os moradores, há dois anos ele mora na fazenda por livre e espontânea vontade, já que não tem as asas cortadas. O ilustre anfitrião dorme nas árvores que cercam o casarão da fazenda, e na hora das refeições aterrissa na área, onde é servida a comida e "manda vê" nos pratos, principalmente na panela de arroz.
Outro fato marcante foi a amizade que fiz com os peões e as cozinheiras que, legítimos pantaneiros, são hospitaleiros e bem-humorados e levam uma vida de intensa intimidade com a natureza. Antes de ir embora da fazenda, pegar o caminho de volta pra casa, me despedi de todos eles, disse que um dia voltaria. Como sou um homem de palavra, acredito que nos veremos novamente.
Para um urbanóide como eu passar alguns dias totalmente fora do horário de Brasília, longe de tudo e de todos, num lugar tão diferente da cidade grande, é ter o gostinho de viver num mundo à parte. A grande sacada, a essência de viajar como mochiliero, é a sensação de entrega a liberdade. Só se lançando na estrada para saber
E amparados sob um céu azul que, diga-se, nos acompanhou durante quase toda a viagem, lá vamos nós indo embora do pantanal. Doze dias depois da partida, estava eu de volta à São Paulo. Assim como meus amigos, não tinha dinheiro nem para pegar o metrô, ainda bem que o pai da Aline foi nos buscar na rodoviária.
A minha amiga Mariceli mora no Rio de Janeiro, que diga-se de passagem, é uma das cidades que mais gosto de passear. Ver o sol nascer na praia da Barra da Tijuca, subir no Cristo Redentor e lá de cima observar "o barquinho a deslizar, no macio azul do mar", enfim, como dizia aquela propaganda: "Não tem preço". Voltando à Mariceli, ela passou esses dia aqui pelo blog, e perguntou sobre os enfeites de elefantes, os quais ela havia me presenteado quando esteve aqui em São Paulo. Então vou postar uma foto
dos três elefantes, eles ficam na frente do meu computador. Viu Mariceli! Sou um cara cuidadoso com os presentes que ganho, principalmente, quando se trata de artesanatos. Obrigado pelo carinho! Logo, logo estou indo aí, dar um rolê pela cidade maravilhosa.
E por falar em elefantes, o novo livro do José Saramago chama-se
"A viagem do elefante". Ainda não comprei, mas pelas resenhas que li em alguns jornais acerca da obra, o ponto de partida do livro é baseado num fato histórico. No Século XVI, Dom João III, rei de Portugal, resolveu dar de presente para o arquiduque austríaco Maximiliano II, nada menos que um elefante, cujo nome era Salomão, aliás, é um bonito para um elefante. O animal teve que cruzar quase que a metade da Europa, de Lisboa a Viena. É no gancho desse fato real que Saramago desenvolve a sua mais nova ficção.
E TEM TAMBÉM A BANDA PATA DE ELEFANTE
O trio porto-alegrense - Daniel Mossmann, Gabriel Guedes (ambos tocam guitarra e baixo), e Gustavo Telles na batera - faz rock and roll de primeira qualidade. Pelo que andei fuçando sobre o grupo na internet, os músicos têm influências do som dos anos 60 e 70 como The Who, Eric Clapton, Beatles, Jimi Hendrix, além de compositores de trilhas sonoras de filmes. Não lembro de ter escutado um rock instrumental tão contagiante como o desses gaúchos. Há vários videos no youtube, vou deixar aqui um com a música "Soltaram". Quem quiser saber mais, é só jogar o nome "Pata de Elefante" no Google e ficar por dentro do excelente trabalho sonoro da banda.
Ontem fui ao cinema assitir "James Bond - Quantum Of Solace". Achei meio fraquinho, comparando-o com "Cassino Royale", em relação aos outros da franquia 007, então, nem se fala . Esperava mais do famoso agente-secreto. Mas coitado do Bond, ele deve estar cansado, afinal, são tantas ciladas, perseguições, explosões, socos e ponta-pés, não há herói que aguente. Por que falo isso? É que esses filmes de ação são muito forçados, acho que dava para fazer de ações instigantes, sem cair na fantasia do impossível. Esses dias fui dançar com uma garota, estava "meio bêbado", o piso escorregadio, conclusão: caí, bate o supercílio no chão, e levei cinco pontos. Infelizmente, o meu nome não é Bond, James Bond. Só mocinho de filme, para cair de uma alturade 4 metros, arrebentar as costas, e sair correndo totalmente ileso. Nada contra a ficção, isso faz parte do cinema, todavia, podiam forçar menos. O público e o próprio Bond, ficariam gratos.
Mas é algo que vai além disso, é um sentimento tão forte que chega a colher tempestades. São marcas espalhadas pelo tapete da sala. Um beijo que ficou, não morreu no ar, muito pelo contrário, corre no embalo do vento. Um olhar fixo que aprisiona os sentidos. É ela aceitando o convite de dançar uma música lenta no final da festa. É a lembrança do adeus na estação de trem. A expectativa de chegar na última frase do romance. São as ilusões da juventude que fugiram pela porta dos fundos, enquanto todos asssistiam a televisão. A decepção em descobrir que vizinha gostosona está de mudança, que do outro lado da cidade também há estrelas caídas, rosas cheias de espinhos. É a ansiedade de encontrar o tesouro antes dos piratas. Uma vontade louca de navegar pelos sete mares, só pra conferir pessoalmente se a terra é redonda, se tudo gira nesse planeta azul, onde a saudade é apenas o começo, e provalvelmente o fim.
Certa vez li a coluna do Max Gehringer na Revista Época, na qual ele comentava acerca da tendência de profissionais - prestadores de serviços autônomos - que trabalham na própria residência. Segundo o colunista daqui a 10 anos uma das tônicas no mercado de trabalho é a redução do tamanho dos escritórios, pois as empresas vão diminuir os custos de despesas como aluguel de imóveis e transportes. Eu já estou nesse cenário, pegando onda na forma de trabalho descentralizado, não sei até quando, mas no momento é assim que ganho o pão nosso de cada dia. A pequena empresa de comunicação, que publica os jornais de bairro em que escrevo, passa por problemas financeiros. Como maneira de reduzir os custos, não há mais um escritório fixo, ou seja, cada assume a sua responsabilidade e faz o serviço da própria casa. Por enquanto, tenho dado conta do recado. Saio somente para fazer entrevistas, realizar todo o serviço de campo, e escrevo as matérias daqui do meu quarto (leia-se redação), aliás, descobri que a minha produção melhora quando fico escutando blues e jazz de fundo. Em contrapartida, confesso que em vários momentos tenho a impressão de estar desempregado, deve ser o fato de trabalhar sozinho. Quando isso ocorre, vou até o bar da Dona Maria, faço uns 10 minutos, dou uma distraída, tomo um café, e volto com tudo à caseira redação.